Pois foi, já cá está fora!
Disseram para voltar ao hospital no Domingo, dia que faria 41 semanas de gestação... Lá fomos, eu sem dores, nem absolutamente nada fora do normal. Chegámos ao Hospital Distrital de Santarém, e fomos rapidamente atendidos. Tinhamos levado as malas, pelo sim pelo não, mas eu não estava nem um pouco nervosa, para ser sincera.
CTG reactivo sem uma contração sequer, colo fechadíssimo, e todo lá em cima. Ecografia, e a esta altura já a Sofia tinha um peso estimado de 4600 gramas...

A médica diz para a enfermeira: "Vamos ficar com esta senhora, pode prepará-la" E eu mal queria acreditar.

Finalmente esta bolinha ia saltar cá para fora.

Então explica-me, vão-me por a soro até entrar no jejum, pois tinha tomado pequeno-almoço, vão-me induzir pequenas contrações para o útero ficar mais fino e ser mais simples de fazer a cesariana. Havia a hipótese, embora pouco provável, de naquelas horas e devido às contrações, ela descer e iniciar-se o trabalho de parto, mas que contasse com uma cesariana.
Confesso que fiquei um pouco desapontada, afinal, 9 meses à espera e ia ser tudo tão simples... Tantas mães que sofrem tanto para ter os seus bebés. Não soube ao certo o que pensar. Mas fiquei aliviada.
A verdade é que foi simples. Fiquei 7 horas com o meu marido junto a mim na sala de trabalho de parto, a ter contrações perfeitamente suportáveis, uma grávida entretanto "passa-me à frente" pois era uma cesariana urgente, esperamos mais um bocadinho, sem grande nervosismo, até que duas enfermeiras me vêm buscar para o Bloco de Operações.
E a partir do momento em que entro deitada na maca num Bloco de Operações todo revestido a mármore e metal, com música ambiente mas ao mesmo tempo um estranho silêncio é que me entra o nervoso cá dentro e entro em pânico.
A equipa foi entrando, primeiro a anestesista que me explica o que vai acontecer. E de repente acontece tudo tão rápido. A sala enche-se, é me dada a anestesia (raquidiana), deixo de sentir do estomâgo para baixo, e começam a abrir-me e a ouvir as médicas a falarem entre elas até que uma diz: "Baixem a maca, tragam-me um banco" Trazem-lhe um banco, ela sobe quase para cima de mim, faz-me força na barriga e aquela sensação de vácuo de tirarem algo daqui de dentro que estava preso e dois segundinhos depois um choro leve.

Imenso cabelo, bochechuda e gordinha, nasceu com 4250g e 48 cm. Mostram-ma, metem-na um pouco ao meu lado, e eu meio atordoada ainda da situação, levam-na para o pé do pai que lhe dá, juntamente com uma enfermeira, o primeiro banhinho, veste-lhe a primeira roupinha e tira imensas fotografias com ela.

Não sofri como a maior parte das mães sofrem, e não sei o que é um parto natural, a sensação de "fazer força". Mas foi tudo óptimo, o hospital, os enfermeiros, os médicos, um serviço excelente. O recobro de uma cesariana é, no entanto, muito doloroso. Pelo que percebi de mães que partilharam o quarto comigo e com quem falei, um pouco mais doloroso que o de parto normal.
Mas tudo vale a pena.

Tudo é compensado quando se olha para aquelas bochechinhas.








Afilhada: Nuca Afilhada: Hope2008Estou a "torcer-me" toda por vocês! Força