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Carbúnculo - Anthrax

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  • Carbúnculo - Anthrax

    Com a recente mediatização de casos de contaminação pela bactéria do carbúnculo, aumenta também a ansiedade e receio das pessoas em contrair esta doença. Se é verdade que deveremos estar alerta para enfrentar esta ameaça, deveremos ter também o descernimento para separar os factos dos mitos de modo a evitar receios desnecessários. Conheça melhor esta bactéria.

    Carbúnculo/Anthrax - O que é?

    O carbúnculo (anthrax, em inglês) é uma doença do gado, primariamente dos herbívoros - vacas, ovelhas, cabras, cavalos, etc.. Alguns animais podem, no entanto, ser resistentes ao micróbio, como algumas aves. Os humanos podem acidentalmente infectar-se também, a partir de produtos infectados de origem animal ou através de poeiras contaminadas. A forma mais frequente da infecção humana é a cutânea. A bactéria penetra na pele onde já existe uma escoriação ou uma ferida.

    O micróbio responsável

    O micróbio ou agente responsável pela doença é uma bactéria com forma alongada, por isso chamada de bacilo e que tem o nome científico, em latim, de Bacillus anthracis. Em português a bactéria é chamada de bacilo do carbúnculo e a doença chama-se CARBÚNCULO. Em inglês a doença é chamada de ANTHRAX. Deve porém usar-se o termo português de carbúnculo.



    Existem diversos tipos de bactérias, em todas as partes do mundo, chamadas de Bacillus (nome em latim) e a maioria são inofensivas. Porém, o Bacillus anthracis ou bacilo do carbúnculo é patogénico, isto é, capaz de provocar doença no Homem e noutros animais mamíferos.

    Porta de entrada do bacilo

    Nos animais

    A porta de entrada da bactéria nos animais é a boca e o aparelho digestivo. Os herbívoros ao pastarem nos campos infectados comendo erva e terra contaminada com a bactéria ou com os seus esporos (ver adiante) ficam infectados. Os carnívoros podem infectar-se comendo a carne dos herbívoros infectados.

    No Homem

    O Homem ocasionalmente pode infectar-se ao lidar com animais infectados, nos estábulos, nos matadoros ou mais frequentemente ao tratar peles ou lãs de animais infectados. As peles e os pelos dos animais podem conter esporos do bacilo do carbúnculo, se a doença existe nos animais de uma dada região. Os solos dessa região estão muitas vezes também infectados Essas regiões foram, no passado, chamados de "campos malditos" por darem doença mortal ao gado. Existem ainda regiões assim, em África e na Ásia especialmente.

    A doença nos animais

    Os animais que ingerem erva de pastos infectados introduzem a bactéria no seu estômago e intestinos. Daí ela passa ao sangue e aos diversos orgãos e, especialmente ao baço, gânglios e fígado. A bactéria espalha-se novamente ao sangue e os animais doentes morrem em poucos dias.

    Se, eventualmente, o Homem comer carne infectada destes animais, pode contrair uma forma rara de carbúnculo chamado gastrointestinal. Nos países onde os animais doentes não são controlados a carne poderá ser impropriamente consumida.

    Doença no homem

    Existem 2 tipos de carbúnculo humano:
    • o carbúnculo externo ou carbúnculo cutâneo ou pústula cutânea (é a forma mais frequente, 95% dos casos) e;
    • o carbúnculo interno. Este pode ainda ser:

    • carbúnculo pulmonar e
    • carbúnculo gastrointestinal (que já referimos antes).


    Sintomas da doença e período de incubação

    O carbúnculo cutâneo - consiste na formação de uma pápula avermelhada que se transforma em pústula ou escara e que, posteriormente adquire cor negra. Daí o nome de carbúnculo que do latim e do francês quer dizer carvão (charbon). A pústula aparece mais frequentemente na face, mãos, braços ou pescoço. É devida à introdução da bactéria numa solução de continuidade ou ferida, mesmo pequena, já existente na pele. A bactéria entra na forma de um esporo. São as pessoas que tratam com peles contaminadas (cortidores de peles) ou de lã os que estão mais expostos a infectar-se. A observação da lesão deve ser feita pelo médico que ao confirmar o diagnóstico receita um antibiótico que evita que a bactéria passe para o sangue.



    O carbúnculo pulmonar - é uma forma mais grave, também mais rara (cerca de 5% dos casos) em que as pessoas se infectam pelas poeiras do ar contendo os esporos da bactéria. Os esporos entram no aparelho respiratório e dissiminam-se pelo sangue multiplicando-se e segregando uma potente toxina. O pulmão sofre grandes lesões e derrames. Os sintomas iniciais são os de uma "gripe" vulgar, com febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares, mal-estar e por vezes vómitos. O tratamento é feito com antibióticos, mas a doença pode mesmo assim ser mortal dada a sua extrema gravidade. As toxinas intoxicam o organismo do doente.



    O carbúnculo gastrointestinal - pode ser também uma forma grave, dado que a bactéria forma toxinas no intestino podendo também elas dissiminarem-se por todo o organismo. É, contudo, uma forma muito rara, como já dissemos, pois que os animais, com sintomas de carbúnculo (esses sintomas nos animais são muito visíveis) são abatidos e a sua carne não é consumida. Apenas em países em que não exista eficiência nesse controlo poderão surgir casos de carbúnculo gastrointestinal. As pessoas com esta raríssima forma de carbúnculo apresentam vómitos, diarreia e dores abodominais. A doença é grave e também mortal se não for tratada com antibióticos.



    Desde que a pessoa se infecta, até que surjam sintomas na pele (pústula) pode demorar 1 a 15 dias a aparecer a lesão cutânea. Depois da contaminação por via aérea, na forma pulmonar, podem demorarar até 6 semanas a aparecerem os sintomas respiratórios.

    Características especiais da bactéria

    O bacilo do carbúnculo tem três particularidades importantes:
    • forma uma cápsula à volta da sua célula o que torna esta bactéria mais agressiva porque a faz escapar às defesas do organismo.
    • forma e liberta, no organismo, uma potente toxina que tem efeitos muito nefastos e agrava a doença.
    • forma esporos quando as condições do meio não lhe são favoráveis. A bactéria trransforma-se numa espécie de quisto, embora não seja um quisto, muito resistente que pode sobreviver nas poeiras e no solo durante dezenas de anos até serem novamente ingeridos e transformarem-se de novo numa bactéria activa.


    Diagnóstico, tratamento e vacinas

    O diagnóstico da doença, em qualquer das suas formas, só pode ser feito pelo médico que envia ao laboratório o produto da lesão da pele ou dos pulmões ou sangue, com o obectivo de ver se existem aí bacílos do carbúnculo.

    O tratamento do carbúnculo ou anthrax deve ser feito com antibióticos da família das penicilinas ou com a ciprofloxacina por via oral. As grávidas são geralmente tratadas com a amoxicilina e as crianças e os bebés com a amoxicilina ou com a ciprofloxacina e com as doses recomendadas pelo médico. As pessoas com suspeitas de estarem contaminadas pelo ar, com esporos ou por contaco da pele, também com esporas, terão de fazer tratamento profilático com os mesmos medicamentos, durante 60 dias.



    Há muitos anos já que existem vacinas para os animais contra esta doença.

    No caso dos humanos, geralmente só têm sido vacinadas pessoas que exercem profissões de risco de contaminação.Existem pelo menos dois tipos de vacinas que em casos especiais têm sido aconselhadas a humanos.

    A guerra biológica

    Algumas bactérias e mesmo vírus têm capacidade para serem espalhados entre populações, fazendo parte de uma guerra biológica que é chamada de "guerra sem rosto". Alguns países tiveram mesmo fábricas para produzir este tipo de armas.

    Como os esporos do bacilo do carbúnculo são muito resistentes no meio ambiente e são relativamente simples de produzir em laboratórios especializados (laboratórios de Microbiologia) eles têm sido usados como intrumentos de guerra. Poderão ser espalhados como um "pó contaminante" e este ser inalado pelo ar causando a forma mais grave de doença - a do carbúnculo pulmonar. Como os primeiros sintomas são de uma "gripe" vulgar (febre, arrepios, mal-estar e vómitos) podem passar despercebidos e a doença progredir. Uma vez dissiminada pelos pulmões, a bactéria e a sua toxina, ela atinge também o sangue. O tratamento poderá, nalguns casos, não chegar a tempo de salvar o doente.

    Devemos estar preocupados com a guerra biológica em Portugal?

    Nos tempos que correm devemos acima de tudo estar atentos contra todos os tipos de terrorismo e também contra quem gosta, em momentos de crise, de fazer brincadeiras de muito mau gosto. Mas não devemos entrar em pânico. Para alguém ter os esporos do Bacillus anthracis terá que o preparar em laboratório especializado. Em Portugal sabemos que os laboratórios de Microbiologia são todos responsáveis e não trabalham de certeza para a guerra biológica. No entanto, ninguém está livre dos perigos que possam vir do exterior dado que os esporos, como dissemos, são muito resistentes. Nesses casos, há que seguir todas as instruções já dadas pela protecção civil, isto é, primeiro que tudo não entrar em pânico. Depois isolar, em vários sacos de plástico qualquer encomenda ou carta suspeita proveniente de desconhecidos ou de sítios de que não se espera. Entregar, assim acondicionado, às autoridades competentes, tais materiais ou correspondência suspeita. Contactá-las em face de acontecimentos anormais.

    Consultar o médico em casos de suspeita de contactos com produtos que possam estar contaminados por bacilos do carbúnculo.

    Prof. Wanda Canas Ferreira

    Professora Catedrática de Microbiologia e Virologia da Universidade Nova de Lisboa. Pediatra.

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