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Sarampo

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  • Sarampo

    O sarampo é uma doença altamente infecciosa que se caracteriza por febre e erupção cutânea acompanhada de sintomas respiratórios. Propaga-se rápidamente numa comunidade de crianças não imunizadas e pode-se tornar séria e grave, especialmente em crianças debilitadas.

    Sinais e sintomas

    O sarampo é uma doença altamente infecciosa que se caracteriza por febre e erupção cutânea acompanhada de sintomas respiratórios.

    A doença manifesta-se bruscamente, com um período de febre elevada (40º-40,5ºC), corrimento nasal, irritabilidade, conjuntivite (olhos vermelhos) com intolerância à luz, tosse seca e “manchas de Koplik” na mucosa da boca. Estas são pequenas ulcerações branco-azuladas, que se localizam na mucosa oposta à dos dentes molares inferiores. Habitualmente é o médico quem as descobre. A criança pode apresentar um certo grau de prostação. Este período da doença é chamado de prodrómico (prodrómico é o período em que já há sintomas, e que antecede o período da doença declarada). Ele dura dois a quatro dias, para logo surgir uma erupção cutânea ou rash, erupção esta que toma o aspecto máculo-papular, de cor rosada clara, iniciando-se pela testa passando ao resto da face, pescoço, tronco e estendendo-se por fim às extremidades do corpo. Ao estender-se por este as manchas unem-se umas às outras, tornando-se coalescentes, tipo mancha de tinta em papel de “ mata-borrão. Esta erupção irá durar 5 a 7 dias. Desaparece pela mesma ordem como começou, isto é, as últimas máculo-pápulas a desaparecerem são as dos membros. Na parte final deste período, a erupção toma um tom ligeiramente acastanhado e termina com uma fina descamação.

    O sarampo é uma afecção que se propaga rápidamente numa comunidade de crianças não imunizadas e que se pode tornar séria e grave, especialmente em crianças debilitadas.

    Várias complicações podem associar-se ao sarampo ou manifestar-se a seguir a ele, sendo a mais frequente a otite média. Outra complicação que surge em cerca de 15% dos casos de sarampo é a broncopneumonia. Ambas são complicações de natureza bacteriana. A bronquiolite e o croup podem apresentar-se também como complicações do sarampo. Além destas, outras complicações, habitualmente mais graves, mas também mais raras, podem ainda surgir. Entre elas estão as do Sistem Nervoso Central, como a encefalite ou outras como a hepatite ou a miocardite.

    Desde que a vacinação contra o sarampo passou a ser aplicada, a doença tem-se tornado menos frequente, surgindo apenas em crianças não vacinadas ou naquelas que foram vacinadas demasiado cêdo e não criaram a respectiva imunidade. Actualmente o sarampo é mais frequente nos países em desenvolvimento onde a vacinação não cobre a maioria das crianças que aí vivem. Nestes países surgem também muito mais complicações da doença.

    Descrição

    O sarampo é causado por um vírus, chamado vírus do sarampo. As pessoas susceptíveis são habitualmente as crianças que ainda não criaram imunidade, por não terem tido a doença ou porque não foram vacinadas. Assim, antes das campanhas de vacinação terem sido iniciadas, o sarampo surgia em todos os países, em pequenas epidemias, cada 2-3 anos, atingindo nessa altura todas as crianças não imunes de uma comunidade, regressando de novo a epidemia quando existiam novas crianças não imunes. As epidemias propagam-se muito facilmente em infantários, escolas ou outros aglomerados de crianças, dada a grande contagiosidade da doença.

    Adultos jovens vacinados na infância podem ter sarampo se, por várias razões, perderam grande parte ou toda a sua imunidade, adquirida aquando da vacinação. Crianças que foram vacinadas demasiado jovens, ainda quando possuiam anticorpos maternos, podem também não conseguir desenvolver uma sólida imunidade. Por essa razão, podem vir a ter, mais tarde, uma forma atípica de sarampo.

    Uma pessoa que tenha sarampo uma vez não volta a ter sarampo de novo.

    O período de incubação do sarampo, isto é, o período que decorre entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas, é de nove a 11 dias e é silencioso. A ele segue-se o período prodrómico que se inicia bruscamente, com febre e os outros sintomas já referidos.

    Duração

    A doença pode durar entre 11 e 14 dias, contados a partir do início dos sintomas do período prodrómico, até ao desaparecimento da erupção cutânea. A febre, habitualmente elevada antes do aparecimento da erupção, começa então a descer à medida que esta se estende, o que acontece cerca de 3 dias após o aparecimento do rash.

    Contagiosidade

    O sarampo é altamente contagioso. O vírus transmite-se por via respiratória. Ele encontra-se nas fossas nasais e garganta, no final do período de incubação, durante o período prodrómico e até ao 5º dia da erupção, pelo que a doença, até a essa altura, se mantem contagiosa.

    O vírus elimina-se pelas secreções, e gotículas respiratórias, passando dumas pessoas para outras pela tosse, espirros, corrimento nasal e pelas secreções oculares. Existe também no sangue e na urina, embora não seja por esta via que se transmita.

    Prevenção

    O sarampo previne-se pela vacinação. A vacina é muito eficaz, imunizando convenientemente mais de 95% dos que a recebem.

    Se existe o receio de poder ter havido o contágio pelo vírus do sarampo, numa criança não imunizada, a vacinação pode logo ser feita, conquanto que esta seja realizada nos primeiros três dias que se seguem à exposição. Gamaglobulina (conjunto de proteínas do sangue que defendem contra as infecções), pode ser dada também, até ao 6º dia a seguir ao que se supõe ter sido o do contágio. A gamaglobulina, ao contrário da vacina não evita o aparecimento do sarampo, mas pode permitir que a doença seja menos grave.

    Fora das situações anteriores, a vacinação está recomendada, em crianças saudáveis, aos 15 meses de idade, sendo esta vacina administrada conjuntamente com as vacinas contra a rubéola e contra a parotidite (papeira).

    Em casos excepcionais de epidemias ou porque a criança habita num país onde está em risco de contrair a doença mais precocemente, a vacinação poderá ser feita, isoladamente, a partir dos 9 meses, devendo ser-lhe dado um reforço aos 15 meses.

    10 a 15 % das pessoas fazem reacções ligeiras à vacina. Pode assim surgir febre moderada entre o 5º e 12º dia após a vacinação ou uma discreta erupção cutânea por volta do 6º dia.

    Existem algumas situações, poucas no entanto, que requerem atenção especial do médico assistente, na indicação ou não, da administração desta vacina. Há casos em que pode estar mesmo contra-indicada. Estão nesta situação pessoas seriamente alérgicas ao ovo (o vírus da vacina contra o sarampo é multiplicado em ovo de galinha embrionado), ou alérgicas ao antibiótico associado à vacina (neomicina). Está também contra-indicada em pessoas com doenças graves como, leucemias, cancro, deficiências imunitárias e tuberculose. Nestes casos poderá ser aconselhado, se necessário, a gamaglobulina.

    As mulheres grávidas não devem também receber esta vacina.

    As vacinas produzidas nas décadas de 60 e 70 não produziam um grau de imunidade tão sólido como as actuais, pelo que se aconselha às pessoas vacinadas antes de 1980 a fazerem nova vacinação, especialmente em caso de necessidade (casos de epidemia).

    Quando consultar o médico

    Sempre que há suspeita de um diagnóstico de sarampo o médico deve ser logo consultado. Se a criança contactou com outras com sarampo também o deve consultar. Melhor que ninguém ele irá indicar as medidas a tomar, na generalidade e no caso particular de determinada criança que pode já sofrer de outras afecções que a fragilizam ou pode estar a tomar certos medicamentos que actuam sobre o sistema imunitário. Acompanhando a evolução da doença o médico pode assim estar atento ao eventual aparecimento de complicações e à necessidade de aplicação de antibióticos se aquelas surgirem e forem de natureza bacteriana.

    Deve também consultar logo o médico se a criança tem menos de três anos, se está com febre elevada (superior a 39,4), se teve uma convulsão ou se está com dificuldades respiratórias. Neste último caso ela pode estar com uma respiração ofegante ou muito rápida ou com tosse há vários dias. Poderá neste caso estar a desenvolver uma pneumonia e requerer tratamento imediato.

    Dores de cabeça muito fortes, rigidez do pescoço ou sonolência excessiva são igualmente sinais que requerem imediata observação do médico.

    Tratamento médico

    O médico deve ser sempre informado da suspeita de sarampo. Ele estará atento ao evoluir da infecção, dará os devidos conselhos terapêuticos à família, e vigiará a eventualidade de surgirem complicações. Se estas forem de natureza bacteriana ele poderá aconselhar a tomada de antibióticos. É de referir que estes não têm qualquer acção sobre o vírus do sarampo. Mas tratam as complicações bacterianas que possam vir a surgir. As crianças doentes ou mais frágeis podem correr maior risco de desenvolverem complicações à doença.

    Sendo o sarampo uma doença de declaração obrigatória às autoridades de Saúde, o médico tem o dever de as informar, bem como se o doente tinha feito ou não vacinação. Estes dados são importantes, pois que se prendem com as medidas de vigilância epidemiológica da doença, medidas essas que são úteis à população.

    Tratamento em casa

    Embora se possa tratar em casa alguns dos sintomas do sarampo, deve-se sempre chamar o médico, em caso de suspeita de sarampo. Se a febre for superior a 39,4ºC deve-se dar medicação para a febre. Não utilize a aspirina, ou outros medicamentos contra a febre que a contenha, porque poderão ser perigosos nesta e noutras doenças virais. Com a aspirina pode desencadear-se uma síndroma, chamada síndroma de Reye. Utilize antes produtos à base de paracetamol.

    A criança deve ficar em repouso e não deve ver televisão nem ler enquanto a conjuntivite durar. O quarto deverá ficar pouco iluminado, dado o incómodo que provoca, aos olhos, a luz intensa.

    Deve-se ajudar a criança e encoraja-la mesmo a beber bastantes líquidos (a febre faz perder líquidos). Água, sumos de fruta e chá fraco são bebidas aconselhadas. Pode colocar-se vaporizadores no quarto, durante algum período do dia para facilitar a respiração.

    Se a criança frequenta o infantário ou escola só deverá regressar uma semana a 10 dias, depois de ter deixado de ter febre e de lhe ter desaparecido a erupção.
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