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O pénis da criança (pila, pilinha ou pirilau)

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  • O pénis da criança (pila, pilinha ou pirilau)

    Preocupação frequente das Mães é saber se o pénis do rapaz recém-nascido é normal e se lhe irá permitir uma vida futura sem problemas.

    Como é constituído o pénis

    O pénis é constituído como que por 3 tubos dispostos paralelamente: dois por cima, os chamados corpos cavernosos, que se enchem de sangue fazendo o pénis aumentar de volume e tornar-se rígido (a erecção) e um tubo por baixo destes, o corpo esponjoso, através do qual passa a uretra, sendo todos eles cobertos por um tubo de pele. Os corpos cavernosos, constituindo o chamado corpo do pénis, alargam-se na porção terminal deste, constituindo a chamada glande, que tem uma cor escura e só se torna visível quando se retrai a pele que a cobre, designada por "prepúcio" (que não é mais do que a porção mais distal da pele do pénis).

    Logo abaixo e ventralmente à glande, observa-se uma pequena prega ou brida da mucosa; o chamado "freio" do pénis, que contem uma pequena artéria, cuja lesão é, em regra, a causa mais frequente de hemorragias pós-operatórias. O prepúcio tem duas faces, uma exterior que é a continuação da pele do corpo do pénis, e uma face interna que se encontra aderente à glande.

    A zona de transição entre o corpo do pénis e a glande constitui o sulco balano-prepucial. Aí é frequente encontrar-se, de cada lado, na porção ventral do sulco, uma acumulação de células descamadas, tendo um aspecto amarelado e que por vezes é, erradamente, confundida com um pequeno quisto. Tudo desaparecerá na primeira lavagem, após retrair o prepúcio.

    As aderências balano-prepuciais

    Essa aderência é normal e não justifica preocupações nem que se intervenha cirurgicamente: ela vem geralmente a libertar-se progressivamente, de diante para trás, até se soltar completamente , em regra por volta dos 3 anos de idade, ou mesmo um pouco mais. Nunca se deve tentar retrair à força a pele do prepúcio, para "descarapuçar" a glande, pois é fácil com isso provocarem-se rasgaduras que, para além da dor inútil provocada, podem, ao cicatrizar, vir a provocar aperto no orifício do prepúcio, constituindo-se assim a chamada fimose. Esta, não só impedirá a retracção do prepúcio como poderá, se acentuada, vir a provocar dificuldades a urinar ou mesmo infecções. Uma retracção suave, diária, tendo o cuidado de não fazer doer ou criar fissuras, não é perigosa e poderá apressar um pouco o descolamento da pele do prepúcio, mas é , pelo menos na maioria dos casos, provavelmente inútil.

    O tamanho

    É importante saber que um pénis inteiramente normal e que portanto poderá funcionar bem, quer sob o ponto de vista urinário quer sexual, pode ter dimensões muito variáveis, e que qualquer comparação com filhos de amigos e familiares não tem significado real, excepto em circunstâncias extremas que caberá ao Médico avaliar (são os raríssimos casos de verdadeiro micropénis, como se fora a ponta de um lápis, por vezes associado a outras malformações). Existe também uma certa variação rácica, já que os asiáticos tem em regra pénis de menores dimensões que os europeus e estes de menores dimensões que os africanos, mas sem que isso tenha qualquer importância no desempenho sexual. O que conta acima de tudo é a sensibilidade e a capacidade de ter erecções e chegar ao orgasmo e isso não depende do tamanho.

    A fimose

    Chama-se fimose o aperto ou estenose do orifício do prepúcio, causando dificuldade em urinar, com jacto fino e por vezes doloroso, chegando a pele do prepúcio a dilatar-se, fazendo "balão". A fimose pode ser congénita (o que é pouco frequente, mesmo quando a pele do prepúcio é muito alongada), por vezes é devida ao chamado eritema ou dermite das fraldas (ou dermite amoniacal) causado pela persistência de contacto da urina com a pele local (por mudança deficiente das fraldas e sobretudo quando a urina é alcalina, transformando-se a ureia que contem, em amoníaco ), outras vezes é devida a inflamações causadas por infecções bacterianas, designadas por balanites (causadas principalmente por má higiene local) e pode ainda dever-se à tentativa de separar, prematuramente e forçadamente, a pele do prepúcio, da glande, o que em principio se deve deixar acontecer naturalmente, evitando as fissurações já atrás referidas.

    A parafimose

    Diz-se que há parafimose quando, após ter retraído a pele do prepúcio (em geral de forma forçada) e posta a glande a descoberto, a pele não consegue puxar-se de novo para a frente, começando a inchar progressivamente, até por vezes atingir proporções alarmantes, e surgindo dores, por vezes intensas. É uma situação tanto mais fácil de resolver quanto mais cedo se recorrer ao Médico e portanto menor o edema do prepúcio. Com paciência e após administrar um analgésico à criança, consegue-se em regra fazer a eliminação da parafimose, embora por vezes se tenha de recorrer a um "corte dorsal" (sob anestesia geral, epidural, troncular ou mesmo local) no anel da tumefacção circular que se formou.

    O freio curto

    Por vezes o freio peniano é muito curto, podendo provocar acentuado encurvamento da glande para baixo, durante a erecção, havendo por isso perigo de romper durante o acto sexual. Nessas circunstâncias deve fazer-se previamente a secção do freio, quer como operação isolada (por si só necessária) ou associada à circuncisão, se tiver optado por esta. Um freio normal, que não provoque encurvamento da glande, deve ser preservado, já que ele actua mantendo fechado o meato urinário, diminuindo assim a incidência de infecções ascendentes na uretra.

    A circuncisão

    Chama-se circuncisão a remoção total da pele do prepúcio, ficando a glande descoberta. É uma intervenção que pode ser feita por motivos religiosos, como é o caso dos Judeus e dos Muçulmanos, por razões de tradição familiar ou psicológicas, por razões ditas de higiene corporal ou ainda por razões estritamente médicas, como é o caso da dificuldade a urinar, das infecções persistentes ou frequentes e do prepúcio esclerosado.

    Porque o desenvolvimento do Sistema Nervoso ainda não está completado há cirurgiões que, na maior boa fé, praticam a circuncisão no recém-nascido sem qualquer tipo de anestesia. Pensamos que é um erro. É indiscutível que os recém-nascidos não sabem exprimir por palavras o seu desagrado, que ninguém pode avaliar com exactidão o seu sofrimento real e que nenhum adulto se recorda do que lhe sucedeu nessa época da vida. Porém, estudos de Obstetras e Neo-Natalogistas mostram que o feto e o recém-nascido, reagem a estímulos dolorosos. Assim nesta intervenção, cirúrgica, como em qualquer outra e em qualquer idade, deve evitar-se a dor, dando analgésicos e fazendo anestesia (geral, epidural, troncular ou local) adequada à idade e ás circunstâncias.

    Os dias que se sucedem à operação são em regra moderadamente incómodos e dolorosos, nomeadamente ao urinar e por isso deve usar-se, por rotina, uma analgesia moderada e recomendar uma ingestão abundante de líquidos, já que uma urina mais diluída causa menos ardor.

    As complicações mais frequentes são as hemorragias, que surgem habitualmente pouco após a intervenção (nas primeiras 24 horas) , não se justificando no entanto o internamento hospitalar e podendo tudo ser feito em regime ambulatório, mas assegurando-se previamente um contacto fácil, nomeadamente telefónico, com o Cirurgião responsável.

    Circuncisão sim ou não

    Como vantagem indica-se a facilidade de boa higiene local: Este problema é no entanto facilmente ultrapassado desde que, a partir do momento em que o prepúcio já se tenha descolado da glande, a criança se habitue a retrai-lo durante o banho, lavando bem com água e sabão, e puxando depois a pele para a frente.

    Não se provou, como se chegou a pensar, que a circuncisão, no marido, por si só, diminua a incidência, na mulher, do cancro do colo do útero, para o qual no entanto podem contribuir a falta de higiene e a promiscuidade. O cancro do prepúcio é evidentemente eliminado: mas dado o fácil diagnóstico e o bom prognóstico nas fases precoces após o seu aparecimento, não é justificação operatória válida.

    A circuncisão, ao deixar a glande permanentemente exposta ao ar, torna a sua superfície mais seca e mal lubrificada, diminuindo-lhe um pouco a sensibilidade, o que alguns sexologistas consideram uma vantagem, por diminuir a incidência de uma ejaculação precoce. O importante durante a erecção e relação sexual, é que o prepúcio (se não se fez a circuncisão), possa retrair sem dificuldade. Se isso não é possível, e caso os Pais desejem que a glande se mantenha coberta, podem usar-se técnicas várias de Cirurgia Plástica com essa finalidade, ou apenas, por vezes, realizar um pequeno corte dorsal na zona do orifício do prepúcio (se a fimose é ligeira e não há esclerose da pele). O mesmo se faz habitualmente nas parafimoses, que em situações de urgência, não se conseguiram reduzir manualmente.

    Nos Estados Unidos da América, onde a circuncisão neo-natal era quase rotina, ela constituía a intervenção cirúrgica que maior número de complicações registava. E foi assim, até que a luta persistente dos Pediatras reduziu drasticamente a sua realização (que muitas vezes tinha lugar logo após o parto, feita pelo próprio obstetra ).

    No caso dos Judeus, a intervenção é feita poucos dias após o nascimento, ocasião em que o perigo de hemorragia é quase nulo, excepto se for lesada a artéria do freio. No caso dos Muçulmanos ela é normalmente feita mais tardiamente e até apenas na puberdade, embora a tendência seja para a fazer cada vez mais precocemente. Para as razões psicológicas não há data e para as razões médicas o momento é, "logo que se torne necessária".

    Se excluirmos os motivos religiosos e as situações de estrita indicação Médica, como sejam um prepúcio esclerosado ou infecções repetidas, acaba por ser um problema de natureza pessoal, em que, por via de regra, o Médico respeita a opção dos Pais, depois de devidamente os esclarecer das vantagens e inconvenientes da intervenção.
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