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Leucémias na criança

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  • Leucémias na criança

    Leucémias são manifestações malignas do sangue que se traduzem por desregulação na multiplicação das suas células brancas. Nesta doença, as células multiplicam-se de um modo anárquico e acelerado aparecendo no sangue periférico células demasiado jovens (chamadas blastos) células estas que, em condições normais, só aparecem na medula óssea ou nalguns orgãos onde são, em parte, fabricadas. O número destas células jovens é, em regra, também mais elevado.

    Classificação

    As leucémias são, entre as manifestações oncológicas (malignas) da criança, as que aparecem com relativa frequência.



    Antigamente dividiam-se as leucémias em agudas e crónicas estando essa classificação sobretudo relacionada com a expectativa de vida do doente. Ainda são, contudo, muito usadas. Mas, hoje em dia existem outros tipos de classificação, considerados como mais apropriados. As novas classificações interessam especialmente ao médico, pois tendo a ver com a natureza ou tipo de células que se encontram desreguladas permitem uma melhor indicação sobre o tipo de terapêutica a instituir ao doente. Nas leucémias agudas as células desreguladas são do tipo imaturo (blastos), enquanto que nas formas crónicas as células são mais maturas. Classificando-as quanto ao tipo de células, podemos dizer que podem surgir leucémias chamadas de células T, de células B ou ainda leucémias de outros tipos de células, como as não-T, não-B. Existem ainda outras classificações mais complexas que não vamos aqui referir. Este conhecimento é importante uma vez que a malignidade poderá ser maior nuns casos que noutros. Quando se fala em leucémias agudas considera-se que existem leucémias linfoblásticas e leucémias mieloblásticas. Estes dois tipos ainda se podem subdividir.

    A leucémia linfoblástica aguda é mais frequente nas crianças do que nos adultos e representa 80% de todas as leucémias da infância. Há um pico de maior frequência entre os 3 e os 5 anos, mas pode aparecer noutras idades. O melhor prognóstico (evolução mais favorável) verifica-se entre os 3 e os 7 anos de idade, devendo existir outros factores especiais, ligados tanto ao número de células como às características destas, para que tal se verifique.

    Como se referiu antes, algumas leucémias têm melhor prognóstico que outras e são também mais comuns, isto é, não têm tanta malignidade, embora possam surgir, ou surjam mesmo com mais frequência.

    Causas

    As causas que levam ao aparecimento de leucémias, tanto na criança como no adulto, não são ainda totalmente conhecidas. Contudo, de há muito que se sabe que diversos vírus são responsáveis pelo aparecimento de leucémias em animais, como são as leucémias das aves, dos roedores, etc. No entanto, causas virais de leucémias, no ser humano, não tem sido fácil responsabilizar. Nos anos 80, do século passado, encontraram-se contudo alguns vírus responsáveis pelo aparecimento de tumores malignos relacionados com o sangue, em humanos, e também por leucémias. Mas neste campo há ainda muito por descobrir, pois que muito poucas formas de leucémia têm nos vírus a sua origem.

    Sabe-se que as radiações ionizantes, como os raio X, tanto recebidas antes do nascimento como depois podem, com mais frequência, levar ao aparecimento de leucémias em crianças.

    Alguns factores de risco

    São factores de risco para o aparecimento de leucémias:
    • As radiações, antes ou depois do nascimento;
    • A existência de alterações ao nível dos cromossomas;
    • Sofrer de Síndroma de Down (chamado “mongolismo”);
    • Sofrer de certos tipos de anemia (anemia de Fanconi);
    • O facto de ter um irmão com leucemia.


    Manifestações clínicas e sintomas

    As leucémias manifestam-se pelo aparecimento de palidez (devida à anemia) que se vai acentuando cada vez mais, fadiga, aparecimento de gânglios linfáticos aumentados, baço aumentado, petéquias (pequenas hemorragias ao nível da pele e mucosas que parecem picadas de pulga), epistaxis (sangramento pelo nariz) e, nalguns casos, hemorragias cutâneas de maior dimensão (sufusões). Por vezes surgem vómitos, irritabilidade e dor de cabeça, devida a aumento da pressão intracraneana, porque as meninges podem ser atingidas. Alguns doentes apresentam febre e perda de peso.

    Diagnóstico laboratorial

    Uma análise de sangue revela o aparecimento de células brancas muito jovens e em grande abundância. O número de plaquetas sanguíneas (elas estão relacionadas com a coagulação do sangue) está diminuído, o que leva ao aparecimento das hemorragias. A anemia é também muito frequente, aparecendo entre 75 a 90% dos doentes. Na suspeita de existir leucémia pode ser necessário fazer uma aspiração de medula óssea para se examinar melhor as células que estão a aparecer em grande número. É de referir que num primeiro tempo as células brancas podem aparecer em número normal ou até diminuído, mas com a evolução da doença, em regra, aumentam.

    O exame das células do sangue ou da medula óssea permite classificar o tipo das células que estão desreguladas. Se existem mais linfoblastos a leucémia é classificada de linfoblástica, se existem mais mieloblastos é chamada de mieloblástica. Existem ainda outros tipos de leucémias, mas estas são as mais frequentes nas crianças, muito especialmente a leucémia linfoblástica aguda, como foi já referido.

    Tratamento

    O tratamento da leucémia deve sempre ser feito num centro de reconhecida competência e seguindo esquemas de tratamento adequados. Com o tratamento pretende-se fazer baixar, na medula óssea e no sangue periférico, o número de células jovens, (células estas que não amadurecem) para níveis inferiores a 5%. Consegue-se obter esta remissão, em regra ao fim de quatro semanas, em 95% dos doentes.

    São usados mais que um tipo de medicamento, ao mesmo tempo, incluindo corticosteroides. Muitas vezes as células jovens (blastos) que estão excessivamente aumentados também se encontram no sistema nervoso central, o que obriga a juntar outros tipos de medicamentos com o objectivo de chegarem a esse local. Alguns destes medicamentos são também tóxicos, mas o seu uso é necessário. As transfusões são igualmente necessárias para combater a anemia e, por vezes, as hemorragias.

    A remissão da doença é possível, no entanto é de contar também com possíveis recaídas, o que obriga a recomeçar o tratamento. Nos casos que não respondem ou respondem mal ao tratamento pode ser indicado o transplante de medula óssea. O problema dos transplantes é o de encontrar um dador (faltam muitas vezes dadores) e que ele seja adequado. Somente 25 a 30% dos doentes têm um irmão imunologicamente compatível que pode servir de dador. Por vezes tem de se procurar dadores alternativos, quando entre irmãos não se encontram. Pode ainda usar-se, se possível, o doente como dador de si próprio (transplantação autóloga) retirando a sua própria medula quando o doente está em fase de remissão, para a transplantar posteriormente, depois de uma fase preparatória especial. Os transplantes de medula têm também os seus riscos, especialmente se os dadores não são totalmente idênticos (imunologicamente) ao doente.

    Os antibióticos são também usados em doentes leucémicos devido ao aparecimento de infecções intercorrentes, dado que o organismo da criança está fragilizado pela doença leucémica e pela anemia que a acompanha. O aparecimento de leucémia, numa criança, representa sempre um grande traumatismo psicológico para a sua família e também para o médico. Felizmente que hoje existem já terapêuticas que trazem esperanças que outrora não existiam. Mas, dada a gravidade da doença, é necessário que a família apoio psicológico, por parte do médico e sobretudo por parte de outras pessoas especializadas, como são os psicólogos, face às diversas perturbações que se vão levantando na vida da criança e na da sua família.
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