Se quiser experimentar um método mais natural para alívio das dores de parto, sem ter de recorrer a qualquer tipo de droga, terá sempre a possibilidade de optar pelas terapias alternativas. Procure obter o máximo de informação possível, acerca das várias possibilidades existentes e, mais importante ainda, do grau e facilidade da sua utilização, no local que escolheu para dar à luz. Aqui ficam algumas sugestões.

Acupuntura

É uma prática curativa chinesa muito antiga. Consiste em aplicar agulhas muito finas em determinados pontos do corpo para desbloquear as “forças da vida”, ou o “Chi” que fluirá através de linhas de energia ou “meridianos”. Muitas mulheres recorrem a esta técnica para aliviar dores nas costas ou náuseas, mas a grávida pode utilizá-la durante o parto. Para não limitar os seus movimentos durante o parto, as agulhas colocam-se na sua orelha. Esta técnica alivia-lhe as dores e acelera a primeira fase do parto, o que evita a maior parte das dores que sente, se for uma fase muito demorada. As agulhas não doem a colocar, apenas podem causar-lhe alguma comichão enquanto estimulam certos pontos do corpo e provocam o seu relaxamento e vontade de cooperar. Esta é uma técnica segura desde que esteja com um acupunturista profissional, o que representa uma desvantagem na medida em que não existem muitos em Portugal e se torna dispendioso contratar um para lhe fazer o parto, porém é uma forma de alívio das dores que pode controlar como e quando precisar, pode ser muito potente e surtir um forte efeito, não a impedindo de manter-se em controlo.

Aromaterapia

Consiste no uso de óleo altamente concentrado, proveniente de plantas. São usados como óleos de massagem, gotas no banho ou para inspirar. Pode ser usado durante a gravidez e no parto, mas deverá informar-se sobre quais pode usar, pois alguns só devem ser usados durante o parto e outros não devem ser usados, de todo. Esta técnica é eficaz em reduzir o medo e a ansiedade. Como exemplos de óleos que aliviam as dores temos o de camomila e o de lavanda. Deve informar-se junto de aromaterapeutas profissionais, pois alguns óleos elevam a pressão sanguínea ou provocam perdas de sangue durante a gravidez. Tem como vantagens o poder administrar o óleo, só ou com o seu parceiro, em casa ou no hospital, dá-lhe a sensação de controlo sobre o parto. Sabe-se ainda que massajar o corpo com óleos aumenta a predisposição para aliviar as dores. Como contrapartida, o efeito destes óleos em si pode ser desconhecido, se nunca os usou, e, o hospital pode não permitir o seu uso.

Homeopatia

Consiste em ministrar pequenas doses de várias plantas e substâncias à base de minerais. Pode fazer-se durante todo o parto, reduzindo a ansiedade da mulher e fortalecendo-a. Não se conhecem efeitos secundários, mas deve aconselhar-se com um homeopata, antes de optar por este método. A homeopatia permite-lhe controlar as suas dores à medida que for necessitando, enquanto os medicamentos funcionam ao contrário.

Hipnoterapia

É uma forma de alterar temporariamente o seu estado de consciência de modo a aumentar o seu poder de concentração e a sua capacidade de relaxar, diminuindo a sua percepção da dor. Pode ser usada em todas as fases do parto, e, também como uma forma de reduzir o medo antes de entrar em trabalho de parto. Esta técnica torná-la-á receptiva a sugestões de calma e a aprender várias técnicas incluindo o imaginar-se num lugar calmo e sereno ou imaginar sensações diferentes da dor espalhando-se pelo seu corpo. Este é um processo de aprendizagem e é seguro. Pode aprender a autohipnotizar-se em duas ou três aulas e estará preparada para encarar o parto sem a ajuda do hipnoterapeuta. Tem como vantgem dar-lhe uma óptima sensação de controlo e pode ser usado com outras técnicas de relaxamento, tais como a água. As desvantagens prendem-se com o facto de você ser pouco susceptível ou capaz de usar a autohipnose ou então, se perder a concentração, pode não conseguir recuperá-la, até ao fim do parto.

Esen

Trata-se de impulsos eléctricos enviados, através de um sensor electrónico, para as suas costas, adormecendo a dor. Os eléctrodos são colados às suas costas por cima dos nervos que se dirigem para o útero e estão ligados a um painel de controlo que lhe permite intensificar ou diminuir a corrente. Quanto mais cedo os usar, mais alívio terá, porém este é um método que se torna menos eficaz à medida que o parto progride. Para além de bloquear as mensagens da dor, este método também estimula a libertação de endorfinas, substâncias que aliviam, naturalmente, a dor. Esta técnica não provoca efeitos secundários, quer na mãe, quer no bebé, se for utilizada correctamente. Tem como vantagens o facto de ser fácil de utilizar, de a poder usar em casa, quando sentir os primeiros indícios do parto, de controlar o nível de alívio da dor e de não a fazer sentir mal. A desvantagem que apresenta é não poder ser usada no duche ou durante o parto na água.

Água

Caracteriza-se pelo uso, durante o parto, de água tépida/quente numa grande banheira ou numa piscina concebida para o efeito. É tão relaxante que tende a reduzir as contracções. Se optar por este método é aconselhável esperar até que tenha 4 a 5 cm de dilatação antes de entrar para a banheira. A água ajuda o organismo a produzir endorfinas que são substâncias que aliviam as dores, naturalmente, para além de reduzir a pressão sobre os músculos abdominais e permitir mexer-se com mais facilidade. O bebé não respira até que a sua cara saia da água, até essa altura o oxigénio é-lhe fornecido pelo cordão umbilical. O parto na água ajuda a sentir-se à vontade, os bebés apresentam-se mais calmos ao nascer e pode usar entonox. No entanto, pode não lhe ser possível fazer este tipo de parto se estiver com febre ou se o bebé tiver com algum problema.

Exercícios respiratórios

Inspirar e expirar profundamente para que os pulmões fiquem bem oxigenados. Os exercícios respiratórios podem ser feitos a partir do momento em que começar a sentir desconforto ou se precisar de concentração para ultrapassar as dores das contracções. São muito eficazes e pode fazê-los conjuntamente com qualquer outra técnica para aliviar as dores. Respirar profundamente traz-lhe benefícios fisiológicos e psicológicos, pois quanto mais oxigénio inspirar, mais oxigénio passa para os músculos do útero, aliviando a dor do parto. Este é um método totalmente seguro e beneficia a si e ao seu bebé durante o parto. Está sempre disponível e qualquer pessoa o pode fazer. A única desvantagem que tem é o facto de a mulher poder entrar em pânico e começar a respirar demasiado depressa, mas nessa altura tudo o que precisa é de apoio e encorajamento para recomeçar a respirar lentamente. Para que não tenha dificuldades deverá frequentar aulas especiais onde lhe ensinarão como deve respirar durante as várias fases do parto.

Gás e ar (entonox)

50% de óxido nítrico e 50% de oxigénio, respirado através de uma máscara. Por ser menos eficaz se o começar a utilizar muito cedo, é aconselhável esperar até ter 3cm ou mais de dilatação. O óxido nítrico é muito bom a aliviar as dores porque impede que as células nervosas comuniquem umas com as outras, dificultando assim a sua percepção das dores, contudo apenas lhe proporcionará um alívio parcial e o efeito concreto em cada pessoa é díficil de determinar. Poderá causar-lhe náuseas e vómitos e fazê-la sentir-se com a cabeça leve e sonolenta. Pelo outro lado, o óxido nítrico é o gás mais seguro de inalar e não tem efeitos tóxicos nos seus orgãos vitais. Entra na placenta e atinge o bebé, mas não são conhecidos efeitos adversos, relativamente a isso. Esta técnica, usada por mais de 60% das mulheres, permite-lhe controlar a situação. A necessidade de respirar através de uma máscara faz com que se concentre nisso e os efeitos do gás duram pouco tempo.