A evolução da estrutura familiar
Em tempos, a família foi entendida como uma estrutura bastante ampla constituída por grupos de três ou quatro gerações. Além dos avós, pais e filhos, o conceito de família chegava a albergar os tios e primos.
Este conceito de família extensa caiu, entretanto, em desuso, em parte devido ao rápido desenvolvimento económico que se fez sentir um pouco por todo o mundo.
Com o aparecimento e o progresso da tecnologia, verificou-se uma dispersão dos postos de trabalho, por si só propícia à desintegração deste modelo familiar alargado.
O desenvolvimento tecnológico permitiu, por outro lado, uma progressiva estabilidade e prosperidade económicas. As pessoas adquiriram um maior poder financeiro que lhes possibilitou, entre outras coisas, ter casa própria. O mesmo será dizer que o indivíduo deixou de ser obrigado a morar, mesmo depois de casar, sob o mesmo tecto que os avós, pais, tios, primos e irmãos.
A partir desta altura, estão criadas as condições para a formação da família nuclear, a estrutura típica dos dias de hoje, composta pela mãe, pai e filho.
Os novos conceitos de família
Embora a maioria dos casais continue a seguir o modelo nuclear tradicional, a estrutura familiar tem vindo a sofrer diversas mutações internas relacionadas, sobretudo, com a generalização do divórcio nas sociedades modernas.
Qualquer separação tende a ser mais ou menos dolorosa, consoante as circunstâncias que a suscitaram. Todavia o certo é que existe no ser humano uma predisposição para tentar de novo.
Isto significa que grande parte dos divorciados não vira as costas a um novo relacionamento, apesar de uma experiência anterior menos boa. Resultado: forma-se no seio da família nuclear as chamadas famílias paralelas, representadas pelas figuras da madrasta, padrasto e, provavelmente, meio-irmão.
Quando uma mulher divorciada decide ter um bebé com o actual companheiro deve ter em atenção os efeitos dessa decisão junto da família inicial (o ex-marido e o filho de ambos). Em causa está a possibilidade de serem criados sentimentos de insegurança, rejeição, medo, decepção e mágoa, perfeitamente justificáveis.
Afinal, o futuro bebé será, em princípio, fruto de uma relação presente desejada e feliz, enquanto que tanto o ex-marido como o primeiro filho fazem parte de um passado que não deu certo.
Além das famílias paralelas, há a considerar as famílias onde vigora apenas a figura da mãe ou do pai. Regra geral, a origem deste conceito de família singular prende-se com uma das seguintes possibilidades:
- Separação do(a) companheiro(a) durante a gravidez ou pouco antes do nascimento do bebé.
- Morte de um dos elementos do casal.
- Por opção própria.
Seja qual for a origem da sua condição, a pessoa que cuida sozinha de um bebé precisa de grandes doses de paciência, autodisciplina e coragem. Isto porque as (imensas) dificuldades inerentes ao cuidado de um bebé ganham dimensões gigantescas quando a tarefa recai apenas sobre um dos progenitores.
Neste contexto, uma das principais preocupações está relacionada com os problemas financeiros. As contas são feitas com base apenas num salário, pelo que os gastos com o bebé tornam-se, por vezes, difíceis de suportar.