Os dias, semanas e meses que se seguem a um aborto são extremamente difíceis, sobretudo se esta não foi a primeira perda ou se a gravidez foi alvo de um cuidado planeamento.

Estratégias para lidar com esta situação

Após um aborto, o casal tende a experimentar doses variáveis de dor, mágoa, depressão, cansaço e um grande sentimento de perda.

Embora seja uma situação que afecte ambos os progenitores, não há dúvida, até por uma questão biológica, que é a mulher quem tende a sentir-se de alguma forma responsável por aquilo que aconteceu.

Ainda que compreensíveis, estes sentimentos de culpa não têm qualquer fundamento. Na realidade, o aborto é algo sobre o qual a mulher não tem qualquer controlo.

Há dois aspectos que o casal que passa por esta situação não deve menosprezar, se pretende seguir em frente com a sua vida e com o seu projecto de aumentar família:
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[*]Evitar os sentimentos de culpa - Nem a mulher nem o homem podem ser responsabilizados pelo sucedido. Em vez de dar azo a sentimentos negativistas, o casal deve tentar conversar sobre o assunto, por mais penoso que seja, e fazer os possíveis para superar essa perda. Há que dar tempo ao tempo.
[*]Aconselhamento psicológico - Trata-se de uma pedra basilar na recuperação de qualquer casal que tenha perdido o seu bebé. Com a ajuda do psicólogo, o casal percebe que não deve rejeitar os seus sentimentos e emoções, devendo antes falar sobre os mesmos.

Além das sessões com o psicólogo, o casal não deve isolar-se do resto do mundo, devendo ao invés procurar outros que já tenham passado pelo mesmo, para desabafar e partilhar sentimentos.

Desta forma, o casal toma consciência que, afinal, não está sozinho na sua dor. Mas mais importante do que isso, o casal apercebe-se que a maioria dessas pessoas acabou por desenvolver uma gravidez e parto saudáveis.

O aborto e a fertilidade

O aborto não afecta a capacidade da mulher poder engravidar num futuro próximo. Com efeito, a maior parte das mulheres que já sofreu um aborto desenvolve, mais tarde, uma gravidez saudável.

Mas atenção. Embora não haja qualquer inconveniente em tentar engravidar depois de um aborto, os médicos aconselham a esperar cerca de três meses – há especialistas que apontam um máximo de seis meses – para reduzir o risco de outro aborto.

Se, por um lado, a recuperação física da mulher é essencial para o sucesso de uma nova tentativa de gravidez, o mesmo acontece em relação ao seu estado emocional.

É preciso ter em conta que nem sempre a recuperação do corpo coincide com a prontidão psicológica e emocional da mulher. Antes de voltar a tentar engravidar, a mulher, juntamente com o companheiro, deve ter a certeza de que estão preparados psicologicamente para o fazer e para, eventualmente, suportar um novo imprevisto menos agradável (outro aborto).

Quando o casal decide tentar mais uma vez, a mulher deve seguir quatro regras básicas para que a nova gravidez corra pelo melhor:
  • Manter uma atitude positiva em relação à nova gravidez (esquecer o passado e pensar no futuro).
  • Descansar bastante.
  • Evitar o stress.
  • Desabafar as suas ansiedades e preocupações com o companheiro e, caso seja necessário, com o próprio médico.


A mulher deve ainda seguir uma dieta nutritiva e, se for caso disso, alterar certos hábitos de vida relacionados, por exemplo, com o consumo de álcool, café e tabaco.

O aborto habitual ou de repetição

Quando uma mulher aborta três vezes seguidas a situação é designada por aborto habitual.

De acordo com dados estatísticos, mesmo as mulheres que abortaram três ou mais vezes seguidas possuem entre 70 a 85 por cento de probabilidades de levar uma próxima gravidez até ao fim.

No entanto, vários abortos seguidos podem indiciar qualquer tipo de problema (por exemplo, uma infecção que, de uma maneira ou de outra, pode estar a afectar a fertilidade. Por outras palavras, o aborto habitual não é uma causa, mas pode ser um sintoma de infertilidade.

A mulher nestas condições deve recorrer a um especialista para confirmar se o seu problema é motivado por um determinado factor susceptível de ser corrigido ou tratado. Por exemplo:
  • Uma deficiência de progesterona, a qual pode ser corrigida através de uma injecção da hormona na fase inicial da gravidez.
  • Uma anomalia estrutural do útero, que pode, eventualmente, ser corrigida através de uma intervenção cirúrgica.